Redirecionando Site Arte em Conchas... O DELICADO ARTESANATO DE CONCHAS DE MARIA JOSÉ Zé, ou Maria José Aguiar Baranenko, manezinha da Ilha de Santa Catarina, virginiana, artesã por vocação e por amor à sua arte, tem se dedicado, nos últimos 15 anos, a um artesanato delicado e exclusivo – a arte feita com conchas. O material que Maria José utiliza são os berbigões, as ostras de mergulho, a casca de mexilhão moída, escamas de peixes,couro de peixe, água viva desidratada, algas, ossos de baleia, musgos e sementes que ela busca nas praias, dunas e mangues. E, como faz questão de destacar - todo esse material, encontrado em profusão em sua terra, é recolhido sem causar qualquer dano à natureza. Depois, ela que prepara toda sua matéria prima, lavando as conchas, secando as algas e separando todos os materiais por tipo, cor e tamanho. Seu carro chefe são as rosas, feitas ora de conchas ora de escamas de peixe, das quais já vendeu dezenas de milhares e que muitas vezes foram dadas de presente a pessoas ilustres que vieram em visitas oficiais a Florianópolis. Seus bonecos representam personagens típicos da ilha com as rendeiras, as bruxas ou os pescadores. Só os rostos e mãos são feitos de cerâmica e encomendadas a artistas que conseguem dar expressão nativa aos rostos. as roupas podem ser de ostras, couro de peixe, água viva desidratada, ouriço, as blusas de escamas de peixes ou de algas, material também utilizado no cabelo. A vassoura das bruxas pode ser feita de galho de louro e alga e o suporte de osso de baleia e ostra de mergulho. Para os adereços, a Zé utiliza búzios, sementes, berbigão, casca de mexilhão ou de siri, entre outras preciosidades que encontra nas praias. As redes e tarrafas de seus pescadores também são encomendadas a pescadores que fazem o trabalho em miniatura especialmente para ela. Desde 1995, quando levou seu primeiro trabalho para mostrar à Diretora da Casa da Alfândega, em Florianópolis, onde os artesãos exibem e comercializam seus trabalhos, Maria José tem seus trabalhos sempre expostos no local. Também participa de todos os eventos importantes onde pode mostrar sua arte tais como a Fenaostra, entre outras. Atualmente, Maria José mergulhou de cabeça num projeto para a formação de artesãs em diversas cidades do Nordeste do Brasil, com patrocínio do SEBRAE e PROJETO OCEANUS (Alagoas). Trabalhando em comunidades menos favorecidas Maria José tem conseguido ensinar o seu artesanato e a abrir os olhos das pessoas para novas oportunidades de geração de trabalho e renda. www.arteemconchas.com.br artesanato conchinhas concha arte conchas vieira castela marisco mariscos ostra ostras peixe escamas Arte em conchas - Diário Catarinense - 06 de janeiro de 2006Florianópolis, 06 de janeiro de 2006.Edição nº 7205 Fique de Olho Arte em conchas Criatividade e beleza se unem em artesanato feito com achados do mar KARINE RUY Caminhar pelas praias com o olhar atento à procura de conchas é cena comum, quase um ritual. Um passatempo divertido incorporado pela catarinense Maria José Baranenko na infância. Abusando da criatividade, ela transformou o hobby infantil em profissão e fez das conchinhas a essência de uma obra singular. A paixão de Maria José pela arte espalha-se pela casa. As paredes das salas são cuidadosamente forradas por 55 mil b?zios. - Tenho todos os tipos de conchas da Ilha - garante orgulhosa. A valorização da cultura local marca a atuação da artesã autodidata, que procura nas praias e mangues o material para o trabalho. - Eu tenho de mostrar as conchas da minha terra - diz. Para encontrar o que precisa, ela não hesita. Balaio sob os braços, vai aos mangues. Esperar pelo siri esperto que leva a concha embora também não é novidade para Maria José. Recolhidas, as conchas são lavadas com água e deixadas no cloro entre dois e sete dias. Depois são classificadas em potes plásticos e envernizadas antes do uso. A tarefa é meticulosa. Pinças e muita luz para separar o lado direito e esquerdo de cada uma das peças. Na pequena sala onde trabalha sozinha, mais materiais, no mínimo curiosos, aparecem espalhados pelas prateleiras. Algas, camarões minúsculos e escama de peixe são apropriados nos detalhes das criações. Os pequenos camarões dão o acabamento das bonecas. Na tiara, pedacinhos de algas. A luva é feita com pé de escama e na saia, claro, conchas brilhantes e coloridas. As texturas idealizadas com os materiais marinhos conquistam os clientes curiosos com a nova possibilidade de arte e decoração. Maria José já fez mil flores com escama de peixe para um desfile de maiôs brasileiros na França e um sino de conchas para um colecionador. E a criatividade não pára aí. - Meu grande sonho é fazer roupas com escama de peixe - diz, exibindo as blusas que, por enquanto, guarda no roupeiro. O boca-a-boca é o motor do trabalho de Maria José. Após conhecer as criações expostas na loja de artesanato da Casa da Alfândega, em Florianópolis, os clientes telefonam para a artista procurando algo diferente. Ela também conta com a ajuda do site www.arteemconchas.com.br, criado há 10 anos. Com a ferramenta tecnológica, faz a divulgação do trabalho e já consegue vender seus produtos para diversos países. Maria José também oferece cursos de artesanato de conchas para maricultores de Alagoas. Serviço Onde encontrar: Maria José Baranenko Telefone: (48) 3244-9110 www.arteemconchas.com.br Multimídia Manezinho da Ilha... ...e boneca: produtos típicos da cultura local Delicadeza é uma das armas de Maria José Foto(s): Marcelo Bittencourt/DC Link Original da Materia - Todo Direitos Reservados ao Di?rio Catarinense Gravação da Entrevista TVCOM Canal 36 RBSTV - 11/01/2006 Jornal Hoje - Reportagens Especiais - 11 de Maio de 2004A artesã Maria José transforma restos de ostras em bonecos perfeitos. Foi do Oceano Pacífico que veio a espécie de ostra criada hoje no sul do Brasil. Produzidas em laboratório, as sementes vão para as fazendas marinhas com menos de três milímetros. Elas crescem em sacos feitos de rede e levam de seis a dez meses para atingir a fase adulta. A qualidade da ostra depende da pureza da água. Cada uma filtra em média 80 litros por dia e retirar do mar os nutrientes de que precisa. Nos restaurantes de Florianópolis, a dúzia da ostra custa até R$ 25,00, mas é na casca que ia para o lixo que a artista Maria José Baranenko encontrou a matéria-prima para suas obras. A Maria José aproveita a casca da ostra em todos os tamanhos e em todas as fases, desde a adulta até as sementes. As ostras que chegam quebradas são moídas e aproveitadas para cobrir as peças. O cascalho das ostras também dá uma nova textura aos vasos. Depois de um longo trabalho de seleção, a casca vira patala. “Às vezes, eu pego 30 ostras ou até mais revirando uma por uma , depois medindo para ver se ela fica na posição certa e se ela cabe no local certo. Às vezes, umas são mais grossas que as outras” – explicou Maria José. Combina o tamanho e separa por tom. Maria José usa quase sempre o barro como base. Ela transforma as ostras maiores em saias e reinventa personagens folclóricos da ilha. “A base da nossa cultura é o nosso pescador, que é o açoriano, e a bruxa, que é a nossa rendeira, são a minha base” – disse Maria José. Assim nasceu a figura do Manezinho, o nativo de Florianópolis, criador de ostras. Os bruxos e bruxas ganham contorno a partir das lendas que povoam a ilha da magia. Não são apenas ostras. Maria José usa também outros tipos de conchas e escamas de peixe. Ela transforma as algas em cabelos e os pequenos mexilhões em sapatos para os bonecos. A artesã fez até uma blusa de escama de peixe. “A blusa é feita da escama do miraguai, um peixe que dá no nosso litoral. Os meus brincos também são feitos de escama de peixe” – disse Maria José. Na sala de casa estão mais exemplos criativos, um estilo diferente de decorar. Essa história começou quando Maria José ainda era criança. Ela passou juntar conchinhas. Com o tempo, faltou espaço para guardar tanta coisa. A artista decidiu então reciclar o material. O resultado é essa coleção única de obras de arte. Maricultores de Maragogi fazem curso de artesanatoMaricultores de Maragogi fazem curso de artesanato 21h34, 21 de agosto de 2005 Flávia Gomes de Barros Editoria de Turismo FGB Os alunos do curso ao receberem seus certificados, com o prefeito Marcos Madeira, expondo suas produçõesFoi encerrado na última sexta-feira, 19, o primeiro curso de artesanato voltado para os maricultores de Maragogi. Com duração de 10 dias, o curso ensinou aos alunos a utilizar elementos até então jogados no lixo, como escamas de peixes, cascas de ostra e massunim, algas e até ouriços. Ministrado pela catarinense “Zezé”, o curso foi organizado pelo Projeto Oceanus, ong que desenvolve projetos de maricultura sustentável em diversos municípios do litoral alagoano. Os 25 alunos tiveram aulas em tempo integral, e aprenderam a produzir bonecas, arranjos, vasos e até brincos e tiaras para cabelos, tudo com matéria-prima vinda do oceano. Para a aluna do curso Valéria Cavalcante, 41 anos, o curso foi uma grande oportunidade para quem quer mudar de vida e ver o mundo com outros olhos. “ Vim com a expectativa de fazer um curso de artesanto, por ter largado meu emprego por opção, e me surpreendi pela grandeza que ele tem. Além de aprendermos como produzir o artesanato, a Zezé nos passou que a gente pode vencer, independente da classe social ou cor da pele, basta apenas querermos”, explica Valéria. Os alunos se empolgaram ainda mais por Maragogi ser uma cidade turística, com o número de europeus visitando o local crescendo a cada temporada. “ Os europeus vão enlouquecer quando encontrarem esse nosso trabalho. Tenho certeza que quanto mais produzirmos, mais venderemos”, afirmou Arlete, aluna do curso. Para o prefeito da cidade, Marcos Madeira, a organização do curso é bastante louvével, pois só assim se encontra novas alternativas de renda para as famílias carentes da cidade. “ Estamos buscando levar para a população de Maragogi cada vez mais cursos de artesanto, utilizando inclusive a palha da bananeira e os mariscos, para gerar emprego e melhorar a qualidade de vida do nosso povo”, disse o prefeito. O mesmo curso ainda será ministrado em Passo do Camaragibe, para a comunidade produtora de ostras supervisionada pelo Projeto Oceanus e em outubro na cidade de Coruripe. Segundo a grande mestra do curso, a Zezé, Maragogi tem um potencial imenso tanto para a produção como para a comercialização deste ainda não conhecido tipo de artesanato. “Espero que elas não desistam e que este curso tenha sido apenas o empurrão inicial que elas precisavam pra mudar de vida”, comentou.